O surpreendente, mas justo, triunfo do Mazembe, de quebra, pulveriza o paradigma da supremacia absoluta e inquestionável dos clubes sul-americanos e europeus no planeta bola.
Difícil analisar taticamente uma disputa tão atípica. Até porque o Internacional subverteu o senso comum ao iniciar o jogo tranquilo e confiante e começar a se perder mentalmente a partir dos quinze minutos da primeira etapa, tempo “estimado” para uma equipe aliviar a tensão na partida.
Os comandados de Celso Roth não aparentaram soberba em campo. Jogaram naturalmente. Mas repetiram um erro crucial, que persiste desde antes da conquista da Libertadores: o time toca, gira, até chuta a gol. Mas não tem eficiência ofensiva. Faltou contundência, ou “gosto” pelo gol, para superar o folclórico, mas bom, goleiro Kidiaba.
Sem o tento tranqüilizador, o time brasileiro foi transformando gradativamente a paciência que tangenciava a letargia em desespero. E Celso Roth, que se repaginou montando uma equipe envolvente, ofensiva e, enfim, vencedora, deu dois enormes passos para trás ao trocar Tinga, Alecsandro e Sóbis por Giuliano, Damião e Oscar em nome da manutenção da estrutura tática. Nada contra o 4-2-3-1, nenhuma crítica aos substitutos. O pecado foi na escolha dos substituídos.
O Mazembe foi corretíssimo na execução do 4-1-4-1 bem planejado. O time africano nem sentiu tanto a ausência de Sunzu, volante que foi um dos destaques da vitória sobre o Pachuca. Kasongo cumpriu bem sua função à frente da zaga, mesmo vacilando no cerco a Tinga nos primeiros minutos. O campeão africano é frágil na marcação em sua intermediária e falha demais nas bolas aéreas, mas compensa os problemas com coragem e vigor físico.
O lado direito, com Kabangu e o apoio de Nkulukuta e Bedi, foi o setor mais forte do time comandado por Lamine N’Diaye. Mas curiosamente o gol que começou a definir o jogo em Abu Dhabi saiu numa rara incursão do meia-ponta direita pelo centro do ataque.
O chute de Kabangu, livre, mesmo cercado por quatro colorados, surpreendeu Renan e fez o time gaúcho entrar em parafuso. É impressionante a instabilidade emocional que muitos atletas brasileiros apresentam diante do favoritismo em grandes competições. E os argentinos Guiñazu e D’Alessandro, diga-se, não ficaram atrás com atuações lamentáveis. O Inter foi vítima de seus próprios equívocos táticos e técnicos, mas principalmente dos nervos em pandarecos.
Com o oponente apavorado e sem ideias, a equipe congolesa abandonou a retranca, arriscou algumas firulas e apresentou um trabalho coletivo interessante e bem coordenado. Nada brilhante ou revolucionário, mas executado com fibra, alegria e fé.
Aos 41, o chutaço de longe de Kaluyituka que Renan aceitou foi o ato final do capítulo mais triste da história de um clube que, mesmo sangrando, não deve abandonar sua filosofia responsável administrativamente e, sim, vencedora.
Festa dos africanos, dos gremistas e também da FIFA, que enfim vê derrubada, ainda que através de um resultado fortuito, a tese de que os campeões das demais ligas continentais são apenas figurantes no Mundial Interclubes.
É como dizem em Abu... não da Bi!! kkkkkkkkkk
por Josias Amaral, Fonte: globoesporte
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